sábado, 22 de outubro de 2011

Pequenos atos de libertação.


Estou presa dentro de mim mesma. Há tempos. Me perdi em algum ponto tentando me proteger, e morrendo de medo de me mostrar. E acho que o que mais doeu não foi perceber isso... foi perceber que eu não tenho a menor noção de como me encorajar e fazer a verdadeira mudança, que é sair da zona de conforto que se tornou o meu medo, esse lugar onde nada vai dar errado... ou certo. Fica tudo igual, e dói menos. Dói menos?

Mas, no momento em que percebi que não sei, eu decidi aproveitar cada pequena oportunidade para fazer coisas (coisas muito bobas, por sinal) que eu não faria normalmente... Com a esperança de achar em alguma delas o caminho pra sair da minha jaula. Não é fácil, especialmente com esse botãozinho escrito 'Aperte e escolha uma condenação pra si mesma', que dá acesso a um menu com várias opções práticas como 'Achar tudo isso muito idiota e voltar atrás pra parecer adulta', 'Dizer a si mesma que você demorou muito e agora não dá mais tempo', 'Colocar a culpa no sono' e o mais famoso 'Perguntar a sua mãe se você pode.'. Mas eu tenho me esforçado ao máximo pra não apertar o botão. Um dia, o quebrarei.

Existe também a função 'Fugir do assunto porque vão achar muito ridículo.', que acabo de usar.


Eu disse que decidi fazer coisas bobas que não faria. Na verdade decidi usar mais o verbo 'fazer', eu acho.

Na Segunda-feira, tive que resolver coisas no Centro da Cidade. Coisas que não deram lá muito certo. Chovia muito, MUI-TO. E eu estava irritada, pensei: 'vamos, Angie, faça algo para esquecer isso.'. Olhei para a direção contrária do meu caminho: 'então, aquela ali é uma área que eu ainda não conheço... eu nunca segui por ali.'. Andei pra trás e segui, mais para descobrir como se chegava por aquele caminho do que tudo. Muito escuro, cheio de poças, deserto (sim, existem áreas desertas lá.). A utilidade disso (ou de contar isso aqui)? Nenhuma. E não, não tem parte interessante. Eu andei, andei, andei muito mais do que andaria normalmente, passei por um lugar muito feio e muito perigoso, apenas pra saber onde ia dar.

Mas fiz isso achando tudo lindo... ouvindo música, feliz, torcendo pra que as pessoas que viram achassem que eu era uma pessoa normal andando ali porque era obrigada. E a hora? Dane-se a hora. Passei olhando a 'paisagem', porque há algo que poucos sabem sobre mim: desde criança eu adoro lugares feios e escuros/construções antigas/áreas perigosas e desertas/pensar nas coisas horríveis que podem ter acontecido ali. É estranho, mas é verdade... algo me encanta nisso. E aposto que é porque sempre fui super protegida... Por mim mesma em algumas vezes. Então isso é diferente pra mim... é algo com o que nunca me acostumei... E o que seria idiota pra outros me traz curiosidade, e depois, tranquilidade. Descobri o que tinha ali.

Nessa mesma semana cometi outro ato que significou muito pra mim... igualmente bobo, que envolveu aparecer pra gente desconhecida em um vídeo e pedir ajuda a pessoa que na minha cabeça acharia isso inútil e ia me mandar fazer algo produtivo (e que na verdade me ajudou pacas). Mas não sei... detalhar isso faria esse post mais longo e mais chato.

O que quero dizer com tudo isso? Eu estou mudando, nas coisas mais simples, mas estou. É um imenso esforço. Eu sempre fico com vontade de seguir por caminhos diferentes dos de costume, e sempre penso na hora, no perigo, nos assaltos, em tudo, e fico sem conhecer o lugar. Esquece isso! Eu  também sempre me apavoro ao pensar que pessoas vão me ver... Por isso nunca aprendi a tocar/cantar/fazer qualquer coisa relacionada. Eu sempre tenho medo de fazer coisas novas. Vai dar errado, vai ficar feio.

Dei esses primeiros passos e estou feliz com isso. Eu passei o post falando sobre como são coisas bobas, porque são mesmo, ser honesta é parte do plano. Mas foram momentos meus. Que minúsculos, fazem parte de uma coisa enorme... de um momento novo e de uma vontade gigantesca de sair dessa caixa... de respirar e não ter mais medo. De fazer tudo o que eu sempre quis fazer. Essa é minha vida agora. É o que eu mais quero: aprender a fazer o que eu quero.

'This is your life, this is your time.'


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