sábado, 5 de março de 2016

Minha linda,

vim dar notícias. Mas mais que isso, percebi uma coisa nos seus textos do fim de 2013 que me assustou bastante e vim conversar.

Pra começar, estou bem. Finalmente descobri seu problema: ansiedade. Foi por isso que você ficou sozinha por tanto tempo, não foi por não ser atraente, nem por grudar, nem por correr atrás. Você só se precipitou tentando descobrir o que ia acontecer no futuro, desistiu de muita gente, sabotou muitas coisas, por não saber o que estava por vir. É isso que a ansiedade faz. Estou tentando resolver isso. Mas depois que descobrimos, você conheceu um cara maravilhoso, lindo. E outro que fez você perceber o quanto é linda, gostosa, atraente. E agora você está esperando as coisas se resolverem, naturalmente dessa vez. Só que esse último cara te causou gatilhos da relação abusiva, e foi por isso que eu vim...

O cara maravilhoso teve gatilhos da relação abusiva com você, e você descobriu isso quando teve gatilhos com o outro. Até aí ok. E você resolveu ouvir Skyscraper, a música da crise de pânico de 2013. Então resolveu abrir o blog pra ver os posts falando sobre a crise de pânico...

Só que eu surpreendentemente não encontrei nenhum post falando que eu tive uma crise de pânico terrível, que eu não tinha superado o ex de 2006 ainda, que o cara era legal mas tinha o mesmo transtorno que ele, nenhuma das coisas que você já sabia muito bem na época. Eu encontrei posts falando que eu estava gostando dele, que eu pensava nele, que ele era fofo, que eu sentia o cheiro dele na minha roupa e gostava, que eu sentia falta, mimimi. Sendo que meses depois eu já sabia que nunca tinha sentido nada e hoje em dia eu até evito encontrar com ele. Poxa, por que?

Acho que tivemos síndrome de Estocolmo. Na verdade, tenho certeza. Você estava se punindo e com a auto-estima baixa após perder uma das pessoas de quem mais gostou na vida, se punindo por não ser atraente pra ele. Lembra que quando você perdeu o cara de 2007 e um cara com transtorno grave gostou de você, você achou que não era bonita o suficiente e que só atraía pessoas que eram como seu ex? Não é estranho que você tenha deliberadamente tentado atrair alguém que era como seu ex logo depois de achar que não era bonita o suficiente, mas que tinha que encontrar alguém? Você se forçou a gostar de alguém que é como seu ex porque não era bonita pra pessoa que você gostou? E pior, amor, você se convenceu disso.

E por isso você teve a crise de pânico. Isso, e porque a intimidade te ativou gatilhos (assim como aconteceu com o cara que você gosta agora). Em partes, foi se forçar a gostar que ativou gatilhos semana passada, mas foi um pouco mais justificável porque você só queria esquecer a pessoa atual. Mas porque você não escreveu aqui sobre a crise de pânico, porque não citou Skyscraper que nem eu fiz no post de hoje, porque não desabafou? Nem que fosse questionando porque isso aconteceu... Não era pra você aceitar isso como algo natural ou corriqueiro. Era um grito de socorro, meu amor.

Mas tudo bem. Agora está registrado aqui o que aconteceu de verdade.
Você é linda.
Você pode atrair quem você quiser.
Você despertou tesão em uma pessoa que está com pânico de intimidade.
Você despertou sentimentos em uma pessoa que está com pânico.
Porque você é tão incrível que consegue fazer florescer em terrenos inférteis.
Nunca, nunca se esqueça disso. Nem nos momentos mais solitários.
Porque você é uma florzinha no coração da pessoa que você gosta. Você trouxe esperança pra vida de alguém.

E agora você finalmente vai poder trazer esperança pra sua.

Te amo, querida.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Vim aqui fazer um comunicado importante.

Antes de mais nada, quero deixar claro que estou bem. Bem até demais, literalmente. Mas é um novo dia, num novo ano, numa nova fase em que finalmente deixo pra trás inúmeros pensamentos que me afogavam como se eu também colocasse pedras nos meus bolsos e me jogasse na água pra morrer.

Estou deixando esse blog.

Não vou apagá-lo. Acredito que toda experiência tem seu valor, assim como tudo que descrevi aqui sobre elas. Mas a questão é que com a desculpa de ser honesta com meus sentimentos, dramatizei as coisas, todas as vezes, e ainda que não tenha sido culpa do blog especificamente, escrever aqui me estimulou muito a fazer isso. E eu me sinto injusta com as pessoas de quem pensei ter gostado, porque criei mentiras pra mim mesma as envolvendo. E ainda fui secretamente ruim com outras, próximas a essas.

Acho que é um maravilhoso momento para encerrá-lo. Eu vou continuar minha busca com o mesmo ritmo, mas tirando dos acontecimentos a pesada responsabilidade de obrigatoriamente darem frutos, não é necessário. E é claro que eu preferiria estar aqui comemorando algo que deu certo.
Adoraria não sentir que preciso aprender coisas. Mas eu não posso mais simplesmente ficar mal quando algo dá errado, me culpar, ler horóscopo, tenho mais o que fazer. Em suma, só quero ser mais prática. Eu não posso me proibir de sentir nem me culpar e querer mudar meu jeito, afinal se estou sozinha desde tanto tempo é única e simplesmente pq nunca me perdoei. Então, se não rolar, beleza. Mesmo que eu sinta algo pela pessoa. Esse tipo de coisa só prolonga o 'sentimento'. Nessa última situação, se eu tivesse sido mais clara há mais tempo, acho que já até estaria com alguém. Mas só me esquivei pra fugir do final, com a desculpa de que eu estava finalmente fazendo as coisas direito. O que é ótimo. Pq a partir de agora eu nunca mais vou me proibir.

É isso. Não sei o que o futuro me reserva nem estou satisfeita, mas fazem 7 anos, quase 8, e eu só fiz me culpar e fugir. E fiz isso de novo nesse último mês. Meu inconsciente não me odeia, e eu não sou emocionalmente descontrolada. Eu só tinha medo da realidade e evitei tanto o não que perdi as possibilidades de receber um sim.

Agora é hora de encerrar o blog e a culpa. Vou olhar os Facebooks de meninos, pedir ajuda da minha amiga pra uma festa no dia 11 e fazer tudo o que eu quiser fazer. E se eu voltar aqui vai ser só pra dizer que finalmente me permiti ser verdadeiramente feliz. Chega de drama.

Fim do último capítulo.
Começo de uma nova história.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Só tem uma parte difícil.

Controlar minha tendência a usar meus sentimentos (e às vezes pior, a pessoa que os inspira) como válvula de escape dos acontecimentos ruins da minha vida. Como estou quase fazendo agora... É a segunda vez essa semana que prevejo algo muito ruim que vai me fazer sofrer e começo a tentar lembrar da possibilidade de vê-lo de novo como algo que no futuro vai ser uma coisa boa pra me 'aliviar'. Independente de eu ter ou não chances de conseguir, não tenho esse direito. O que vier de ruim eu vou ter que engolir, me adaptar, mesmo que isso me torne mais cínica e menos feliz. E qualquer história que eu venha a ter tem que existir a parte disso, sem o peso de me salvar do sofrimento ou de qualquer outra coisa. A história que acontecer, seja qual for, tem que existir para trazer felicidade aos dois, igualmente, e pela sua própria existência em si. Superar os acontecimentos negativos é responsabilidade minha e apenas minha.

Sobre um movimento, uma intuição e um olhar.

Ontem pude enxergar o tamanho da minha impotência e a fina linha entre acreditar em algo e ser hipócrita. Não adianta compartilhar textos e imagens, encher o feed das pessoas com uma causa que eu deveria defender, se não há nada que eu possa fazer quando vejo algo acontecer na prática, tão absurdamente próximo de mim, e que podia ser comigo - ainda que eu não esteja me importando muito com esse último detalhe. É tão absurdo que a ideia do acontecimento ainda não faz sentido na minha cabeça, tento resumí-lo em uma curta frase e a palavra que o descreve não faz sentido junto ao nome da pessoa, e o verbo, e, e... não dá. O que uma pessoa que está começando a conhecer um movimento faz? Quando se fala de meio ambiente, todos dizem 'faça a sua parte' e 'as pequenas ações mudam o mundo'. Tento levar essas duas coisas para o que quero ajudar a defender, e vejo que não há ação da minha parte que possa ajudar a mudar a situação, se não posso fazer nem o básico que é ajudar alguém que amo. E eu penso, e penso, e não há absolutamente nada. Nenhuma função nesse caso além de relacioná-lo egoistamente a uma situação minha, e tentar amenizar como se carinho fosse mudar os fatos.

Já devo ter dito aqui que não acredito na minha intuição. Quando ela diz algo ruim, às vezes consigo... quando é algo que pode ser bom ou me ajudar, encaro como uma mera vontade, um desejo que estou confundindo com pressentimento, como se o que fosse conveniente para mim simplesmente não pudesse acontecer. Mas ainda que eu possa ser facilmente enganada pelas pessoas, estou começando a dar valor e acreditar em um lado meu: minha facilidade de saber identificar como são as pessoas logo ao conhecê-las. Claro que nem sempre funciona, mas funciona com cada vez mais frequência e me vejo não muito raramente relevando aquilo que vejo de primeira ou mentindo pra mim mesma porque bom, eu não tenho moral. Foi o que aconteceu com a pessoa do final de Outubro, que insisti em fingir gostar ainda melhor do que fingi no começo de 2006, o que me surpreende e eu nunca vou entender porque eu fiz. Eu sabia do problema desde que o conheci. Um pouco mais recentemente, conheci uma outra pessoa, e ainda que tenha me dado "bem" com ela, meu lado moralista me fez detestar de cara algumas atitudes e algumas coisas que ouvi. Uma pessoa que propõe te ajudar e ao mesmo tempo está forçando a barra com você. E depois de ver mais algumas coisas, comecei a sentir que algo estava muito errado, e comecei a me incomodar e não gostar daquilo. Mas relevei, já que todo mundo hoje em dia parece achar que os sentimentos não valem de absolutamente nada e estranham e te julgam quando você pensa o contrário. Acontece que... eu estava certa. Infelizmente. E descobri da pior maneira possível.

Em um lado mais positivo (é, por incrível que pareça há um, eu acho), essa facilidade de avaliar pessoas aliada ao fato de eu tentar ver o melhor nelas, me leva a reconhecer pessoas boas, e é muito raro que eu erre. Sim, isso acontece de cara. Então, ainda que isso seja bem estranho e egoísta, essa situação horrível e inacreditável me fez pensar no que tenho falado em meus últimos posts. Não garanto nada (eu posso errar), mas ao conhecer essa última pessoa eu tive a sensação exatamente oposta ao incômodo que o monstro desequilibrado passou - ainda que esse não mostre isso tão explicitamente quanto os de 2006 e Outubro. Uma sensação de ver bondade, pureza, inocência e ao mesmo tempo uma certa maturidade - ainda que não o tipo de maturidade que faz as pessoas terem coragem e iniciativa e que todos acabamos procurando nessas situações, por puro conforto. Ontem conheci a nova pessoa de uma amiga, e apesar de terem uma história complicada ele me passou também uma sensação boa e passei a dar mais credibilidade. Conversamos bastante e um dos assuntos foi a diferença entre os caras que chegam direto em você e os caras que tem tato e que te dão atenção de verdade. Citei para ele, várias vezes graças a minha sempre presente empolgação, o quanto o olhar das pessoas me fala bem mais do que o jeito que elas falam comigo ou me tratam, e que isso normalmente já me é suficiente para avaliar o que quero. E bom, esse olhar me passa uma sensação tão boa que me desmonta um pouco, e essa foi a causa de falar tanto disso aqui, mais do que simplesmente a minha busca ou a histeria que eu costumo ter e que dessa vez nem tive tanto. É realmente engraçado e um pouco assustador. Quando penso nas possibilidades de isso dar errado, torço para que a forma que isso aconteça seja tranquila, porque ao menos em relação a essa sensação eu quero estar certa. Quero continuar vendo essa pessoa dessa forma. Talvez seja por isso que eu penso tanto nessa situação, e não por carência ou obsessão por 'me apaixonar'. Só por isso, esse olhar que me passa tanta positividade.

Não sei se era um bom momento para mencionar isso. Ainda estou muito chateada, chocada (mas não surpresa) e me sentindo realmente impotente, fracassada, uma versão um pouco mais séria do que chamam de poser - hipócrita talvez não seja realmente a palavra. Mesmo que eu comece a frequentar coletivos e marchas, nunca vou conseguir me esquecer que na situação mais absurda e necessária, não houve como lutar, não tive funções, não tive participação, nada. Só um 'apoio moral' que nunca será capaz de apagar nem metade do sofrimento. Mas foi bastante inevitável não ter essa situação como prova de que eu tenho sim a capacidade de avaliar uma pessoa e que devo acreditar um pouco mais nas intuições que tenho, e isso foi uma certa ajuda para que o meu bom pressentimento parasse de soar apenas como empolgação. E no fim das contas senti isso em relação a outras pessoas, inclusive esse novo/velho amor da minha amiga que faz ela se sentir tão insegura. Há muita honestidade nele, e eu respeito isso.

O que me lembra de outra coisa que considerei ontem. Quando sofremos muito e passamos pela mesma situação repetidas vezes, chega um certo ponto em que esperamos algumas atitudes das pessoas das quais gostamos. Só que a vida tem um jeito muito doido de nos ensinar e nos fazer melhores, e ainda que eu não entenda muito bem o motivo disso, percebi que quando criamos todas essas necessidades acabamos conhecendo pessoas muito humanas e às vezes tão inseguras quanto a gente (ou, como no meu caso, inexperientes), que não conseguem fazer essas coisas que esperamos, mas não é por falta de interesse. Apenas por não saber lidar. Eu vi isso muito claramente entre essa minha amiga e o cara que está com ela. Ontem sem querer ele mencionou pra mim a dificuldade dele de fazer as mesmíssimas coisas que ela reclamou comigo recentemente que ela queria que ele fizesse, como procurá-la. Que é uma reclamação que tenho com a minha história também. Hoje estava passando Sex and The City - que eu odeio - e o cara dizia 'olha, se ele não te ligou, ele não se importa'. Meu amor, nem todos os caras são amantes fodões - e ainda bem. Há mil motivos para alguém não procurar uma pessoa que gosta - o medo é o principal e também o mais compreensível. Em compensação, a criatura que citei lá em cima ficou me procurando sem que eu precisasse fazer nada, e isso ainda contribuiu pra que eu me sentisse insegura em relação ao que me passa verdadeira positividade. E uma outra pessoa que também não queria nada fez o mesmo. Conclusão? Os 'sumiços' dele e a dificuldade de tomar a iniciativa podem ter nada a ver com falta de interesse. Ou tem mesmo, mas como isso claramente não define, preciso dar uma segunda olhada e prestar real atenção antes de tirar conclusões. E confiar na minha intuição, porque ela infelizmente não errou da última vez.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

E aí encontro uma nova possibilidade pra daqui a duas semanas.
E agora?

Algumas dúvidas voltam a povoar minha cabeça, mas tenho esse novo plano, essas duas ideias. Vou tentar deixar o monstrinho do medo de lado e aguardar.
O ritual de ver Simplesmente Amor em tds os Natais sempre funciona como uma síntese do ano, ou pelo menos do momento que está acontecendo na minha vida. Fico impressionada... Há um certo alívio esse ano, foi uma delícia ver o menininho dizendo 'As mulheres gostam de músicos, não é?' e morrer de rir... Estou aguardando ansiosamente pelo trecho de All I Want For Christmas Is You, épico.
De qualquer forma, ainda é estranho ver o plot de Sarah, amando platonicamente, se achando pouco demais para o cara, lidando com alguém com problemas psiquiátricos e utilizando isso como pretexto para não melhorar sua vida e sua terrível auto-imagem. Ao mesmo tempo, me traz alegria, especialmente nesse ano em que me transformei tão profundamente, e transformei inclusive minha auto-imagem. Não mais a menina histérica de 2006, nem a que perdeu um dos caras q mais gostou por insegurança de 2007, nem a fechada de 2010, nem a madura demais do ano passado. Por isso brinquei no Facebook que, ainda que minha situação atual me faça rir muito com a Joanna e o menino q resolve tocar (adivinha o que) na banda da escola; me tornei mesmo como Natalie. Confiante mas auto-consciente, espontânea, que fala demais e não tem medo de ser ela mesma. E chama a atenção de todos sem ter que forçar. Gosto muito de ver essa melhora. Superação, finalmente.
Ainda tem a timidez deliciosa dos dois dublês (hahaha) - é ela quem toma a iniciativa e se declara já que ele é tão docemente contido. Se declara com "tudo o que eu quero de Natal é você!" Hahahaha
Natalie, Joanna e a menina da declaração são decididas. Mostram quem são e o que sentem, e Joanna sempre irá me divertir com seu 'And you! And you! And you!' para disfarçar. Me pergunto... deveria demonstrar mais? Minha situação é como a dos dublês? Ou menos é mais e foi bom não ter feito nada hoje?
Agora só o tempo dirá, e ainda não me desfiz totalmente das lembranças, e dos medos. Quando penso bem, o tempo que estou respeitando não é o de ninguém, senão o meu. E não consigo mais ser precipitada, preciso pensar mil vezes para ter certeza. Espero que minha demora não atrapalhe. No geral, o saldo é positivo. A atitude dessas personagens me traz encorajamento... Confesso que não pensei que assistir o filme esse ano me faria tão bem.
Termino esse post com um pouco mais de esperança, e muito orgulhosa de mim mesma por finalmente compreender o meu valor.
'Você viu nos filmes, filho. Só acaba quando termina.'
Vamos descobrir então.

Desespero doce e precipitado.