sábado, 6 de outubro de 2012

Careless Whispers.

Sempre fui uma criança medrosa. Uma criança de medos bizarros. O episódio de Glee essa semana, da forma mais irônica do mundo, conseguiu fazer uma relação entre os dois maiores e ainda por cima usar um como metáfora para o outro (e por falar em medo, Ryan, eu tenho muito medo de vc). Fazer isso em 2012, ainda por cima!

Medo do fim do mundo.
Medo de traições.

E só agora de noite notei que a cena sobre “Left Behind“ era uma metáfora sobre entrar em desespero e perder o controle por se sentir deixado pra trás.

Até 2005, eu nunca tinha parado pra ouvir a opinião de alguém que já traiu. Quando isso aconteceu, quem contou sua experiência foi uma das minhas melhores amigas (caso esteja lendo, saiba que eu ainda amo muito vc). Eu a julguei quase que instantaneamente a ponto de outra amiga que estava na conversa fazer cara feia... Algo como “essa é a pior coisa que alguém pode fazer, odeio quem faz isso“. No ano seguinte eu me tornei “shipper“ de um relacionamento dela, a primeira vez em que usei esse termo apesar de ter sido shipper (de coisas realmente fictícias) várias vezes antes. O mesmo problema ocorreu com ela várias vezes e sempre me deixava terrivelmente intrigada fazendo milhões de análises sobre isso na minha cabeça de uma forma estranhamente obsessiva. Brigamos sobre isso várias vezes, briguei com outras pessoas envolvidas a ponto de ter entrado em uma discussão e ter feito o outro lado não querer me contar pq achou que eu não falaria mais com minha amiga. O fato é que (graças a Deus) continuamos nos falando depois disso, e no ano passado depois de algumas coisas horríveis eu descobri porque tinha acontecido tudo aquilo, e era um motivo muito sério. E minha mente começou a mudar.

Mais recentemente isso ocorreu com outra grande amiga. Dessa vez eu não julguei, ela é jovem, livre e parecia estar se divertindo. E tb pq no fundo eu já sabia que o relacionamento dela não era dos melhores. Depois que eles terminaram, ela me explicou tudo o que aconteceu e confesso que até dei razão a ela.

Esse ano, ao mesmo tempo, me tornei shipper de novo. “Klaine“, meu segundo maior ship (num post esses dias eu disse que o primeiro sou eu com meus amigos). E por mais infantil que seja, além de ser algo muito divertido, isso me ajudou muito a entender os relacionamentos, em um momento em que eu tentava desesperadamente ter um e ao mesmo tempo odiava a idéia. Passei a ter uma visão positiva, mais madura, e parei de correr atrás, aceitando que não conseguiria dessa forma.

Uma coisa que não citei sobre meus muitos ships de infância, é que abandonei quase todos eles, e uma boa parte pelo mesmo motivo: aquele meu medo (sem ser o de fim de mundo, pfvr). A mídia (sempre arranje alguém para culpar) sempre ensinou a mim e as meninas em geral de que isso é mais inevitável que a morte, e que quase sempre vem de homens (que louco, meus exemplos mais próximos vem de garotas).

Eu cresci com medo de relacionamentos por vários motivos, mas esse pode ter sido o principal. Eu atormentei meu primeiro namorado com isso, pelo motivo mais idiota que se possa imaginar (e tipo, um motivo REALMENTE idiota). Tomei raiva de músicas e filmes, e todas as coisas bobocas e imaturas que se possa imaginar.

Mesmo tendo superado isso e ganhado uma visão mais branda através das minhas amigas, eu nunca tinha feito o crucial: me imaginar nessa situação. Não até a Quarta-feira.

Quase todos que me conhecem sabem do meu ship. Meu tumblr está lotado disso desde Janeiro, quando retomei a série. E diga-se de passagem, eu tinha abandonado beeem antes de eles começarem, quando meu ship antigo (Wemma) terminou adivinha pq? O que me inspirou no ship atual foi a delicadeza, o carinho, o fato de não terem ficado frios só pq são estáveis e a tranquilidade do relacionamento. Descobri até que eu acho bonitinha essa história de para sempre.

Um terrível episódio foi anunciado quando a atual temporada estava pra começar. Eu não me preocupei muito, achei q seria tranquilo. E quando os spoilers dos sites especializados (que viram antes da gente, na quarta) sairam... surpresa! O namorado dos sonhos traiu, minha gente. ISSO, no meu ship.

Nos primeiros segundos achei que fosse especulação. Depois confirmei. E passei a tarde refletindo sobre isso. É o fim do mundo mesmo? Não. Isso faz da pessoa alguém odioso? Depende. Será que é parada obrigatória e eu passarei por isso? Provavelmente.

Mas pensei no que aconteceu com minhas amigas. Por motivos distintos uma da outra e também do meu ship, elas se sentiram desesperadamente negligenciadas e sozinhas. Deixadas para trás. Queriam atenção, ajuda, apoio. Em um dos casos também houve auto-sabotagem.

Na série, o personagem em questão praticamente entrou em colapso. Ele sempre buscou coisas nas quais se segurar para não olhar para si mesmo, para seus conflitos (coisa que eu mesma já fiz muito), e se tornou dependente da relação de uma forma que, por mais fofa que fosse, nunca foi saudável de fato. De repente ele foi deixado pra trás literalmente, e por mais que a outra pessoa não tivesse culpa, ele não sabia mais o que fazer e, de certa forma, queria se castigar. Quando eu finalmente assisti o episódio, eu já tinha entendido e aceitado isso, e a história confirmou o que imaginei. Obviamente não fiquei com raiva. Também não concordei com os outros shippers que disseram ter sido ‘out of character‘. Na verdade foi a coisa mais de acordo com o personagem que poderia ter acontecido. Desde o começo viciado em agradar a todos, internalizando todo e qualquer conflito e fugindo de si mesmo.

Meu ponto com isso tudo é que, por mais que seja condenável, descobri que nem sempre isso pode ser levado ao extremo. Nem todos são automaticamente cafajestes, nem todos os traídos são fofinhos idiotas, nem todo relacionamento precisa acabar. É possível e as vezes necessário perdoar. Eu acho lindos esses casais que estão juntos há 50 anos, mas não me iludo, uma (boa) parte deles passou por essa situação e a “vítima“ perdoou. Às vezes a pessoa faz de novo (nesse caso, termine!!). Às vezes não. Ao terminar, às vezes você se livra de uma relação tóxica. E às vezes você deixa de viver um relacionamento que se tornaria mais maduro e extremamente feliz. E nem tudo é como aquele clássico e preconceituoso clipe de Careless Whisper, em que uma garota inocente e fofa é traída com uma femme fatale ~ por um gay ainda por cima, mas enfim.

Eu percebi que, antes de terminar, eu avaliaria tudo. Pediria um tempo. E, talvez, eu voltasse. O que eu sinceramente acredito que a pessoa que foi traída na série também fará, passados o choque e a raiva. Pretendo cuidar da minha relação para não chegar a esse ponto, mas ninguém está imune - o que não é motivo para ficar paranóica.

O tal fim do mundo, que me deixava gelada na infância, é algo de que hoje em dia eu até esqueço. Meu amado Grupo fará uma festa de fim de mundo no dia, aliás. Acho que o fim do mundo mesmo, se acontecer, vai demorar mais um pouco. O suficiente para que eu viva meu primeiro (e de preferência único) Teenage Dream.

Nenhum comentário:

Postar um comentário