segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Come What May

Aconteça o que acontecer...
... eu ainda acredito no amor.
Mesmo que do jeito que me é mais conveniente: o realista, já que esse jeito é mais confortável.

   Na vida real, eu não quero ter uma canção tão grandiosa nem uma promessa tão exagerada para meus próprios relacionamentos. Em um lapso, me imaginei no futuro, gostando de alguém e ouvindo essa música. e disse pra mim mesma que é tão irreal, essa coisa de 'until my dying day', e lembrei que me acostumei com amores rápidos. Não me tornei amarga, mas me tornei alguém que acha que vai se iludir quando pensar que é para sempre. Alguém proibida de gostar. Condicionada a não ser correspondida, porque é tudo o que eu conheço. Mas sem drama. Até porque eu não sei se quero ter uma pessoa só a vida toda, sem nunca ter vivido e aprendido com outros relacionamentos, passado por todos os dramas e pelos recomeços. E sempre que penso nisso acho que eu jogaria fora toda uma história de mulheres que lutaram pela nossa liberdade, mas isso é assunto pra outro dia.
   Na vida real, eu assisti uma história que era até a morte. Mas só por algum tempo. Há um tempo muito distante (já que hoje sou uma nova pessoa, feliz e contente mas entediada esperando a minha recompensa), eu substituí minhas necessidades de acreditar, com essa história. E ela acabou sendo uma parte grande da minha vida, mesmo não sendo minha. Mas ela terminou por motivos tão compreensíveis, que reforçou minha teoria de início/meio/fim; me fez ver essa música apenas como uma lembrança tola com um belo instrumental; admirar a amizade esquisita que vem depois de todo o processo e achar a história que aconteceu anos depois até mais bonita. E eu parei de me importar. Lembrando que tudo o que sei de relacionamentos é externo. E nisso se baseiam minhas teorias e visões.
   Da ficção veio uma bela e um pouco realista história. Primeiro me deixou feliz, depois me fez gostar de relacionamentos (eu juro que por mais que eu quisesse ter um, eu não gostava da idéia), e aí me deixou angustiada, depois me fez fazer a maluca procurando alguém. E obviamente chegou aquele já conhecido momento de me sentir uma idiota, por me importar com algo que não existia, por parecer uma pré-adolescente e principalmente por ver que eu estava projetando o que eu queria, fazendo outra substituição e blá blá blá análise. E mais uma vez lembrei que quem não tem muitos relacionamentos vive de assistí-los e criar milhões de teorias enquanto espera. Quando pensei que estava tudo bem, descobri que uma coisa que eu odiava iria acontecer ATÉ COM ELES e o que fiz? Passei a considerá-la uma fase normal e aceitável. E no fim das contas, colocando na balança, foram mais coisas boas do que ruins.
   Agora a música voltou. E eu descobri que sou hipócrita.
   Porque na ficção, eu não aceito que se torne amizade. Eu não aceito o fim natural e saudável, aquele da minha teoria. Eu não aceito que depois chegam outras pessoas legais. Eu não acredito que se possa amar alguém que vem depois, não com o mesmo tamanho e intensidade. E sinceridade. Não, não na ficção.
    Isso é uma projeção do que eu queria poder acreditar? É uma forma de compensar a realidade? É pelo fato de eu ter visto tudo detalhadamente, e por isso achar que acabar é estranho? Ou eu simplesmente não
gosto do que eu quero (de novo)?

   Eu estou super ok com isso. Mas depois de perceber que o fato de eu já ter estado próxima dessa música não significa nada pra mim, que é como se fosse outra qualquer, e que quando nossos amigos souberem eles vão comentar e eu vou achar um exagero, só pude me perguntar: eu realmente mudei, mas até onde?
   Eu ainda sou romântica. Mas também sou muito tranquila, muito de não me importar. Prática. Cínica. Pelo menos na vida real. Não procuro mais ninguém... não choro com cenas e músicas que me faziam chorar... quero focar na faculdade... mas ainda continuo esperando.
   E eu não quero resolver mais esse dilema, nem mais nada. Eu não analiso mais. E estou evitando de me martirizar pelas controvérsias, os extremos das pessoas vs o meu meio termo, tudo isso pra continuar acreditando e esperando em paz. Uma das poucas coisas que eu sei (ou acho que sei) é que quando tudo finalmente acontecer, será com alguém do meu meio termo, será simples e essas teorias e projeções não vão mais importar. E eu estou me segurando a isso pra não surtar quando penso que o mundo se divide em quem quer casar e quem quer putaria. Quando penso que o único meio termo é quem tem tudo planejado, de ser "livre" até magicamente achar uma calma esposa para viver um relacionamento tranquilo e sem intensidade. Porque alguém por aí pensa como eu: abrir as portas pro amor quando ele vier, mesmo que no meio da vida livre, e não planejar casamento e eternidade, mas saber que ela pode acontecer. Casualmente.
 
    Talvez daqui a 50 anos até me encontrei ainda com meu namoradinho da época de faculdade, e só aí eu vou estar cantando Come What May. Mas por enquanto eu não sei nem se quero isso.
    De qualquer forma, estou muito bem, mas acho tudo isso muito curioso. Acho que não ligo. Aconteça o que acontecer, no futuro eu vou descobrir, afinal, no que eu realmente acredito.

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