terça-feira, 4 de junho de 2013

(In) visível

Gosto das entrelinhas.
Das coisas que pairam no ar enquanto não estão de fato acontecendo.
Do que as pessoas vêem e não querem enxergar.
Do que já sabemos e do que evitamos sem ações.

Chegamos juntos. Sentei perto dele. As mesmas perguntas do início surgiram, mas dessa vez apenas por ansiedade pelo sentir. Mesmo assim, olhei, e então senti que ela olhava provavelmente se perguntando o que era, e é certo que os outros olhavam para ela como sempre olham para eles dois. Ela se levantou, se aproximou como uma namorada faria, mas é certo que foi inconsciente e talvez uma forma de impedir uma aproximação invisível nossa, mas a verdade é que isso nunca irá acontecer, então agi naturalmente olhando para a folha, para deixar o caminho livre para os olhares deles um com o outro. Assim como observei aquelas mensagens e tirei minhas próprias conclusões, ao mesmo tempo em que um olhava para o outro entre mensagens, em um momento para avisar sobre o envio, no seguinte furtivamente apenas pela vontade também inconsciente de olhar, ou pela divertida sensação de não poder pensar com segundas intenções, o prazer culposo. Nesse momento pensei que quero estabilidade e alguém só pra mim - que não mande mensagens desse jeito para outros. Após considerar minha hipocrisia em já ter dito que nunca terei ciúmes de amigas deles. Um turbilhão de pensamentos, como os de hoje. Ela sentiu ciúmes quando chegamos?

Gosto dos pensamentos girando aleatoriamente nas cabeças de todos enquanto achamos, graças ao silêncio, que não está acontecendo nada, mas inconscientemente sabemos que todos estamos pensando sobre a mesma coisa.

E um olha pro outro que olha pro outro e tudo está explicado.
Poderia ser tudo mais um trecho do meu drama imaginário, mas, hoje sei confiar nas minhas intuições.

Eles tem estado estranhos, mas sempre parecem não saber. E continuamos olhando até a bomba explodir. Caminho tranquila sabendo que até lá já aceitarei melhor que sou mera telespectadora.

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