Passá-la sofrendo por antecipação e visualizando todas as possibilidades negativas me deu alguma perspectiva.
Percebi que pensar em conseguir é tão assustador quanto a perda.
Meus amores platônicos eram sim uma fuga, e enxergar isso pode ser bom só por diferenciar as histórias que deram errado dessa nova possibilidade. Sim, é bom pq isso não é platônico, e a cada dia que passa tenho mais certeza de que não é parecido com nada que eu tenha experimentado antes. Estou completamente fora da minha zona de conforto e é exatamente por isso que me sinto tão pirada. E enquanto escrevo isso percebo que já não importa se acontecerá mais alguma coisa ou não: a mudança na minha forma de pensar e nas minhas expectativas surtirão um efeito enorme nas minhas próximas experiências. (ainda que eu não queira pensar que elas existirão)
É difícil listar assim de cara todos os efeitos e todas as coisas que já descobri. Logo depois que tudo aconteceu, quando já estávamos lá fora e parecia que não ia acontecer mais nada, a aparente "frieza" trouxe a minha mente o clipe e a letra de Precious Illusions, enquanto eu me arrependia da minha escolha e achava que poderia ser melhor de outro jeito. Mas após esse grande engano, só tive surpresas, doçura e os momentos que me deixaram como estou agora, quase mais parecidos com o lado 'sonho' do clipe, mas com essa coisa deliciosamente realista. Dias depois, quando lembrei da hora em que isso veio na minha cabeça, percebi o quanto aquilo fazia um sentido bem maior do que eu poderia perceber na hora, e que esse sentido não valerá só pra esse primeiro dia ou para essa história, mas para tudo. O que acontece na vida real é diferente, tão diferente, e agora consigo ver que é bem melhor. Mas até eu conseguir aceitar que é melhor me apeguei ao conforto de gostar de alguém inalcançável e viver em um mundo paralelo em que tudo aconteceria exatamente do jeito que eu queria, numa ordem correta, com as palavras e olhares certos. Ficamos amigos; depois magicamente descobrimos o amor de um dia pro outro e nos aproximamos de uma forma delicada e casta como um casal de dorama (explica pq eu raramente me sentia estimulada mesmo estando fascinada por alguém), mas de forma contínua; conversamos de forma melosa todo santo dia; e em um determinado momento descobrimos que o sentimento é recíproco e explodimos de felicidade. E aí? Sei lá, e aí? Encontros com amigos em que ficamos quase o tempo td separados mas nos divertindo, sms acidentalmente não respondidas, falta de assunto, convivência, trabalho, ocupações, brigas, tédio, não poder sair com meu grupo pra ir em algum compromisso da família da pessoa, etc... Pergunta se eu queria isso.
Questionei para vários amigos se não chamar para conversar significava falta de interesse. "Claro que não!"; "isso não tem nada a ver"; "é até melhor assim"; "pq vc não chama?". E como consequência o jeitinho informal de falar (e ainda assim fofo, pq é sempre fofo) também se tornou natural pra mim. Pq eu precisava tanto conversar todo santo dia? E então, ter perdido com o último cara que gostei, mesmo com todo o sofrimento absurdo que me causou, fez todo sentido e, sinceramente, fiquei aliviada por não ter conseguido. Ok, isso assusta mais ainda. Mas é a verdade. Porque gostar dele parecia seguro pra mim... eu literamente escolhi por quem me apaixonei, ao me apaixonar por ele. Eu li os posts de seu blog antes mesmo de conversar com ele, eles diziam 'quero encontrar minha Julieta', descreviam como menina perfeita a forma que eu me vejo, mostravam ser alguém que se apaixonava platonicamente e muito rápido, e que seria daquela forma magicamente fofa e entediante que eu esperava. Ele não aparentava defeitos e não me magoaria. Suas ideias eram parecidas com as minhas. Sabe, até acho que ele poderia gostar de mim, se eu não precisasse dessa experiência de rejeição para crescer.
E, ele estaria pensando em mim? Não necessariamente. Não com tantas ocupações, e de verdade, eu deveria estar do mesmo jeito, afinal, estou em pleno fim de período e acabei de descobrir com que eu quero trabalhar. Isso poderá acontecer com o tempo mesmo assim? Obviamente, e na verdade, levar tempo pra que isso aconteça é ótimo. Pra isso eu preciso ganhar tempo e que aconteça mais vezes e tudo o mais...
E aí entra a origem da angústia desnecessária dos últimos dias. Graças a meu histórico não consigo imaginar que alguém que eu goste possa gostar de mim, e a última experiência me levou a quase acreditar que ninguém irá fazê-lo, já que a rejeição veio de alguém que eu iria me obrigar a gostar (ainda bem que não deu certo). Mesmo que tudo estivesse acontecendo como eu achava que deveria, eu ia achar isso - é engraçado que agora o fato de ser diferente parece sinalizar que vai ficar tudo bem. E mesmo que as perdas tenham sido minha culpa, e que até a forma que senti isso tenha influenciado nelas, eu sei o quanto elas me fazem mal e o quanto elas me deixam com medo.
A verdade é que é a primeira vez que me sinto como estou me sentindo, nessas circunstâncias em que estou. Isso me preocupa... será que então essa é só a primeira experiência, e terei que passar por mais algumas? É engraçado que dois dias antes de isso acontecer, eu estava descobrindo a carreira que quero seguir e começando a pesquisar sobre, estava muito feliz e pensei 'sabe, até que a minha vida emocional pode demorar mais um tempo pra se resolver... vou passar Janeiro estudando e começando a escrever roteiros, depois entrará o novo semestre, posso esperar pra metade do ano que vem, sei lá, não importa...'. Por mais que a solidão ainda me machuque, não é isso. É a pessoa. Enfim, isso não muda nada, certo? Talvez não seja mesmo agora.
O importante é que mesmo o que visualizei como relacionamento (maldita Miley me fazendo imaginar cenas enquanto ouço Adore You) é bem diferente do que eu visualizava antigamente... e eu gostei do que 'vi'. E a forma que acredito que isso deveria se desenvolver é a forma que vai se desenvolver se for acontecer, é a forma que sempre se desenvolve, e adivinha? É legal assim. Vai ser assim mesmo que de outro jeito. Acho que se for de outro jeito quero que demore bastante... É idiota, mas quando penso que o que aconteceu talvez não aconteça de novo, ainda que eu me conforme, não quero que aconteça de novo com outra pessoa por enquanto. Isso é muito idiota. Mas não me culpo... Saber o quanto isso é ruim e precipitado na verdade me dá um conforto de que pelo menos tenho os pés no chão (but I can't stop flying).
Agora tenho um plano e um pouco mais de tranquilidade, na medida do possível. E quero que seja desse jeito. Devagar, realista, sem conversar td dia, sem cena de filme (o kct, só naquele dia tiveram várias). Se não for agora, eu vou ficar bem. Só que por enquanto não quero imaginar isso. Talvez essa seja mais alguma coisa que tenho que corrigir, talvez eu tenha que aprender outra lição... Já disse pra mim mesma que não preciso mais de lições... Mas, é isso. E ainda não estou completamente bem.
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