domingo, 29 de dezembro de 2013

Sobre um movimento, uma intuição e um olhar.

Ontem pude enxergar o tamanho da minha impotência e a fina linha entre acreditar em algo e ser hipócrita. Não adianta compartilhar textos e imagens, encher o feed das pessoas com uma causa que eu deveria defender, se não há nada que eu possa fazer quando vejo algo acontecer na prática, tão absurdamente próximo de mim, e que podia ser comigo - ainda que eu não esteja me importando muito com esse último detalhe. É tão absurdo que a ideia do acontecimento ainda não faz sentido na minha cabeça, tento resumí-lo em uma curta frase e a palavra que o descreve não faz sentido junto ao nome da pessoa, e o verbo, e, e... não dá. O que uma pessoa que está começando a conhecer um movimento faz? Quando se fala de meio ambiente, todos dizem 'faça a sua parte' e 'as pequenas ações mudam o mundo'. Tento levar essas duas coisas para o que quero ajudar a defender, e vejo que não há ação da minha parte que possa ajudar a mudar a situação, se não posso fazer nem o básico que é ajudar alguém que amo. E eu penso, e penso, e não há absolutamente nada. Nenhuma função nesse caso além de relacioná-lo egoistamente a uma situação minha, e tentar amenizar como se carinho fosse mudar os fatos.

Já devo ter dito aqui que não acredito na minha intuição. Quando ela diz algo ruim, às vezes consigo... quando é algo que pode ser bom ou me ajudar, encaro como uma mera vontade, um desejo que estou confundindo com pressentimento, como se o que fosse conveniente para mim simplesmente não pudesse acontecer. Mas ainda que eu possa ser facilmente enganada pelas pessoas, estou começando a dar valor e acreditar em um lado meu: minha facilidade de saber identificar como são as pessoas logo ao conhecê-las. Claro que nem sempre funciona, mas funciona com cada vez mais frequência e me vejo não muito raramente relevando aquilo que vejo de primeira ou mentindo pra mim mesma porque bom, eu não tenho moral. Foi o que aconteceu com a pessoa do final de Outubro, que insisti em fingir gostar ainda melhor do que fingi no começo de 2006, o que me surpreende e eu nunca vou entender porque eu fiz. Eu sabia do problema desde que o conheci. Um pouco mais recentemente, conheci uma outra pessoa, e ainda que tenha me dado "bem" com ela, meu lado moralista me fez detestar de cara algumas atitudes e algumas coisas que ouvi. Uma pessoa que propõe te ajudar e ao mesmo tempo está forçando a barra com você. E depois de ver mais algumas coisas, comecei a sentir que algo estava muito errado, e comecei a me incomodar e não gostar daquilo. Mas relevei, já que todo mundo hoje em dia parece achar que os sentimentos não valem de absolutamente nada e estranham e te julgam quando você pensa o contrário. Acontece que... eu estava certa. Infelizmente. E descobri da pior maneira possível.

Em um lado mais positivo (é, por incrível que pareça há um, eu acho), essa facilidade de avaliar pessoas aliada ao fato de eu tentar ver o melhor nelas, me leva a reconhecer pessoas boas, e é muito raro que eu erre. Sim, isso acontece de cara. Então, ainda que isso seja bem estranho e egoísta, essa situação horrível e inacreditável me fez pensar no que tenho falado em meus últimos posts. Não garanto nada (eu posso errar), mas ao conhecer essa última pessoa eu tive a sensação exatamente oposta ao incômodo que o monstro desequilibrado passou - ainda que esse não mostre isso tão explicitamente quanto os de 2006 e Outubro. Uma sensação de ver bondade, pureza, inocência e ao mesmo tempo uma certa maturidade - ainda que não o tipo de maturidade que faz as pessoas terem coragem e iniciativa e que todos acabamos procurando nessas situações, por puro conforto. Ontem conheci a nova pessoa de uma amiga, e apesar de terem uma história complicada ele me passou também uma sensação boa e passei a dar mais credibilidade. Conversamos bastante e um dos assuntos foi a diferença entre os caras que chegam direto em você e os caras que tem tato e que te dão atenção de verdade. Citei para ele, várias vezes graças a minha sempre presente empolgação, o quanto o olhar das pessoas me fala bem mais do que o jeito que elas falam comigo ou me tratam, e que isso normalmente já me é suficiente para avaliar o que quero. E bom, esse olhar me passa uma sensação tão boa que me desmonta um pouco, e essa foi a causa de falar tanto disso aqui, mais do que simplesmente a minha busca ou a histeria que eu costumo ter e que dessa vez nem tive tanto. É realmente engraçado e um pouco assustador. Quando penso nas possibilidades de isso dar errado, torço para que a forma que isso aconteça seja tranquila, porque ao menos em relação a essa sensação eu quero estar certa. Quero continuar vendo essa pessoa dessa forma. Talvez seja por isso que eu penso tanto nessa situação, e não por carência ou obsessão por 'me apaixonar'. Só por isso, esse olhar que me passa tanta positividade.

Não sei se era um bom momento para mencionar isso. Ainda estou muito chateada, chocada (mas não surpresa) e me sentindo realmente impotente, fracassada, uma versão um pouco mais séria do que chamam de poser - hipócrita talvez não seja realmente a palavra. Mesmo que eu comece a frequentar coletivos e marchas, nunca vou conseguir me esquecer que na situação mais absurda e necessária, não houve como lutar, não tive funções, não tive participação, nada. Só um 'apoio moral' que nunca será capaz de apagar nem metade do sofrimento. Mas foi bastante inevitável não ter essa situação como prova de que eu tenho sim a capacidade de avaliar uma pessoa e que devo acreditar um pouco mais nas intuições que tenho, e isso foi uma certa ajuda para que o meu bom pressentimento parasse de soar apenas como empolgação. E no fim das contas senti isso em relação a outras pessoas, inclusive esse novo/velho amor da minha amiga que faz ela se sentir tão insegura. Há muita honestidade nele, e eu respeito isso.

O que me lembra de outra coisa que considerei ontem. Quando sofremos muito e passamos pela mesma situação repetidas vezes, chega um certo ponto em que esperamos algumas atitudes das pessoas das quais gostamos. Só que a vida tem um jeito muito doido de nos ensinar e nos fazer melhores, e ainda que eu não entenda muito bem o motivo disso, percebi que quando criamos todas essas necessidades acabamos conhecendo pessoas muito humanas e às vezes tão inseguras quanto a gente (ou, como no meu caso, inexperientes), que não conseguem fazer essas coisas que esperamos, mas não é por falta de interesse. Apenas por não saber lidar. Eu vi isso muito claramente entre essa minha amiga e o cara que está com ela. Ontem sem querer ele mencionou pra mim a dificuldade dele de fazer as mesmíssimas coisas que ela reclamou comigo recentemente que ela queria que ele fizesse, como procurá-la. Que é uma reclamação que tenho com a minha história também. Hoje estava passando Sex and The City - que eu odeio - e o cara dizia 'olha, se ele não te ligou, ele não se importa'. Meu amor, nem todos os caras são amantes fodões - e ainda bem. Há mil motivos para alguém não procurar uma pessoa que gosta - o medo é o principal e também o mais compreensível. Em compensação, a criatura que citei lá em cima ficou me procurando sem que eu precisasse fazer nada, e isso ainda contribuiu pra que eu me sentisse insegura em relação ao que me passa verdadeira positividade. E uma outra pessoa que também não queria nada fez o mesmo. Conclusão? Os 'sumiços' dele e a dificuldade de tomar a iniciativa podem ter nada a ver com falta de interesse. Ou tem mesmo, mas como isso claramente não define, preciso dar uma segunda olhada e prestar real atenção antes de tirar conclusões. E confiar na minha intuição, porque ela infelizmente não errou da última vez.

Nenhum comentário:

Postar um comentário