Ele era o resumo de todos os sonhos e paixões anteriores. Parecia ter pequenos detalhes de cada um deles, me fazendo reviver pequenas cenas de antigas histórias, pequenos flashes que me fizeram me perder, não apenas nas lembranças mas também das coisas nas quais deveria me focar, e todas as diferentes sensações desses momentos me confundiram.
Pensei que cairia na minha própria armadilha de novo. Por melhores que sejam os amores platônicos, eles são uma escolha inconsciente de não estar com a pessoa, a partir do momento em que consistem em criar uma imagem superior e fantasiosa de quem gostamos. Pois não queremos arriscar perder essa imagem para a realidade. E sofremos por esperar uma relação disso, sem perceber que somos o próprio impedimento.
Antes de cair no mesmo erro, descobri que ele está lutando com um sentimento que resume os que vivi tão bem quanto ele resume as pessoas. E que ele tem a possibilidade de transformar isso em relação, mas está dificultando o próprio caminho por estar preso à idéia do platônico, a falsa beleza em colocar um ser em um pedestal, a beleza no sofrimento. Por quê pagar o preço, tão alto, quando você pode caminhar ao lado dessa pessoa?
A partir disso, enxerguei a mim mesma nele, aquela que eu era antes. E enxerguei algo ainda mais sofrido que ela. Aquele menino engraçado, inteligente e com toda a vida pela frente parecia cansado, cinza, como se algo tivesse sugado toda a sua energia. Perdido. Sem brilho. E insistindo que estava confortável com isso e que era o maduro a se fazer. Ser solitário.
Ele tem todo o direito de estar confortável e escolher essa posição. Se ele está bem com isso, não pode ser tão ruim. Mas nele eu enxerguei que uma fase da minha vida acabou. Que eu nunca ficaria feliz, nem satisfeita, nessa situação. Que, se só existem dois caminhos: amar platonicamente ou amar sem nervosismo, sem taquicardia, sem loucura e aparentemente sem graça; o eu de hoje ainda prefere a segunda opção. Mesmo que eu tenha que aprender a gostar de uma pessoa, é melhor. Que eu não posso mais amar como a menina de 12 anos, sem esperar nada em troca. Quero uma relação. Estar com alguém, rir com alguém, brigar com alguém, ver toda a sua verdade e humanidade, pagar o preço de viver com os maus hábitos para não ter que pagar mais com a solidão. Essa será a posição que me fará feliz. Essa é a minha grande mudança, e o que eu precisava ser capaz de enxergar, de uma vez por todas.
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